quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Indiferença (Ilustração)



A linha vai paralela à estrada entre a cidade e o rio. As estações estão protegidas por cercas e é necessário subir e descer escadas para chegar ao trem. Cada estação tem duas plataformas altas e, no meio, existe o fosso em que passam os trens.
Numa das plataformas, um homem novo destaca-se dos outros porque avança extraordinariamente devagar e tem um andar vacilante. É cego, arrasta os pés como se esperasse a todo momento encontrar os degraus de uma escada. Ele agita a bengala sem parar, num movimento cadenciado, ora para a esquerda, ora pra direita, e é impossível não reparar nele. 
Estou dentro do carro, preso numa fila de trânsito, na estrada que corre ao longo da linha do trem, e assisto ao descompasso que existe entre o cego e todos os outros que chegam e partem sem olhar para ele. Ou melhor, sem vê-lo.
Homens e mulheres cruzam-se no caminho do cego e afastam-se instintivamente para que a bengala não lhes toque. Indiferentes a necessidade imperiosa que o cego tem de encontrar o chão debaixo dos pés e à vertigem que é para ele o pequeno abismo que separa as duas plataformas. Passam sem se deter porque não lhes ocorre se quer pensar que, naquele lugar, ele precisa especialmente de ajuda para se orientar e não cair na linha do trem.
Enquanto isso, o homem segue o seu caminho visivelmente aflito com a falta de referências, com o espaço que se sente inseguro e, ainda, com a ameaça dos degraus e do abismo entre as plataformas. Os seus gestos são inquietantes e seus passos hesitantes, mas mesmo assim, os outros não reparam. Há um rapaz que vem no sentido contrário, de frente pra ele, mas que também se afasta no exato momento em que vai passar pelo cego.
  Vista do carro, a cena dói porque o cego continua penosamente a tentar encontrar o caminho sem ninguém para ajudá-lo. É a indiferença que se instalou em todos nós.


E, qual é a causa dessa indiferença? A FALTA DE AMOR.


"E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.." (I Coríntios 13.2)
(Extraído)









Um comentário:

  1. TRISTE MAS REAL,NÃO DEVEMOS NOS CONFORMAR COM ESSA ATITUDE TEMOS QUE SER MELHORES!

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